quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Cansada de uma sociedade doente!

Nossa, faz tempo que eu não escrevo aqui, e agora que venho escrever, apareço com um assunto pesado. Desculpem... mas é o que tenho pra hoje!
Esse ano foi bem complicado e vou explicar tudinho...

Tenho percebido cada vez mais como algumas crianças podem ser cruéis! O Henrique está crescendo e cada vez fica mais nítido ver como os valores de nossa sociedade se inverteram!

A gente ouve falar cada dia mais em tolerância, em lutar por igualdade de direitos, em respeitar a opinião do outro, discursos contra todo tipo de preconceito... mas tudo o que percebo à minha volta é justamente contrário a tudo isso!
Vejo pessoas se xingando pela internet, vejo pessoas perdendo amizade porque têm opiniões políticas diferentes, vejo pessoas que vivem de aparências e como consequência disso tudo, vejo pais e mães desinteressados em educar, cada vez mais ausentes e que acreditam que bens materiais substituem tudo isso!

Com isso, criam crianças agressivas, com uma intensa necessidade de se sentirem melhores do que as outras, crianças esnobes e praticantes de bullying... que pena!

Esse ano pude perceber ainda mais tudo isso...

Algumas coisas que tive o desprazer de escutar (de crianças):

_ O Henrique não tem esse brinquedo? Nossa, só ele não tem isso!

_ Ele não brinca com tablet?

_ Nossa Henrique, você não gosta de assistir tal canal? Acho que isso que você assiste é coisa de bebezinho!

Também vi meu filho ser excluído de brincadeiras porque não tinha algum brinquedo específico ou porque não gosta de brincadeiras violentas! Mais uma vez: que pena!

Eu sempre soube que ele passaria por tudo isso, só não achava que seria tão cedo! Que seria com 5 e 6 anos! Achei que isso viria na adolescência!

O Henrique ama brincar, adora brinquedos, mas ele ama mesmo usar a imaginação! Brinca até sozinho, fantasia as próprias mãos... a porca de um parafuso vira o chapéu de um dos dedos... Brinca de tudo! Gosta de correr, de aprender, de vivenciar... Gosta de livros e na televisão gosta de programas educativos! Ouve músicas infantis e algumas que eu e o pai dele ouvimos também! Nada impróprio para crianças. E quer saber? Eu tenho muito orgulho disso tudo!
Ele já jogou no computador, já jogou vídeo game, mas ele não gosta muito dessas coisas, e eu acho isso o máximo!

Ele gosta de museus, exposições e adora ir a restaurantes... Não, ele não fica vendo filminhos enquanto come, não fica jogando no celular. Ele come com a gente, em família! Nós conversamos uns com os outros, perguntamos sobre o dia um do outro, contamos novidades, falamos sobre o que nos deixa tristes, cantamos juntos, brincamos juntos! É assim que aproveitamos cada minuto que passamos juntos!

Sabe o que me deixa mais triste? Ver que meu filho é bom de coração e que por isso ele sofre!
O que fazer? Ensiná-lo a ser agressivo, a devolver o troco na mesma moeda, a ser esnobe, consumista, egoísta? É isso que tenho visto em muitas crianças da idade dele! Dói! Estou ensinando-o a não se deixar ser feito de bobo, a dizer não quando fazem algo que ele não gosta ou não quer fazer, a impor suas opiniões, a se defender... mas não vou fazer dele uma criança agressiva. Não vou mudar os meus valores porque vivo nessa sociedade doente! Tenho dó só de pensar no que se transformarão os filhos do presente e como viverão no futuro!

Ah, também já tive que escutar que tenho que deixá-lo ser mais independente! Ele tem 6 anos e... come, toma banho, se veste, coloca a roupa suja para lavar, sozinho! Me ajuda na cozinha, seca algumas louças, já preparou a mesa do café da manhã sozinho (de final de semana, de surpresa), para mim e para o papai, me ajuda a estender a roupa no varal, coloca o rolo de papel higiênico no banheiro quando o antigo acaba, guarda todos os seus brinquedos, me ajuda em tudo o que peço! Será que ele é mesmo dependente? Só porque não aceito bullying? Não aceito mesmo!

Admiro quem não quer ter filhos! Acho que quem não tem vocação, vontade ou tempo, não deve ter filhos! Colocar uma criança no mundo só para dizer que tem filho é monstruoso!

Educar é uma arte! É preciso amor, carinho, atenção, muita conversa e paciência!
É preciso dizer não, é preciso ser realista e equilibrar a realidade com um mundo de fantasia!
É preciso mostrar que as coisas mais valiosas na vida não têm preço,
que não é possível comprá-las!
É preciso mostrar que dividir o que temos com outras pessoas é muito importante!
É preciso mostrar que devemos estar felizes com o que temos, mas devemos lutar por aquilo que queremos! Que não devemos puxar o tapete dos outros, não devemos ser desonestos...
É preciso mostrar que cada minuto é valioso e que devemos aproveitar o tempo!
Que devemos respeitar as pessoas e aceitar as diferenças...
Que temos direitos e deveres!
Que nosso direito termina quando começa o direito do outro!
Realmente educar não é fácil, mas quando há amor, tudo acontece com mais tranquilidade!

Espero que se você que está lendo for pai ou mãe, pense muito a respeito de tudo isso... Que tipo de pessoa você quer que seu filho/a seja?
Se você pretende ser pai ou mãe um dia, pense em tudo isso também e reflita!

Por isso, aí vai um conselho: ser pai ou mãe é a maior responsabilidade que uma pessoa terá na vida. É educar e se preocupar para o resto da vida. Então só decida por ter filhos, se você está realmente disposto a educar, amar e se fazer presente na vida de cada um deles!

Desculpem o desabafo!

É urgente essa reflexão!

Lívia.

Um comentário:

Ana Paula disse...

Lívia, que bom vê-la de volta ao blog!
Mesmo trazendo uma reflexão tão difícil como esta.
E o que eu vou acrescentar também não é nada bonito. É pior, muito pior.
Vou torcer para que num futuro próximo, você possa me escrever dizendo que eu estava errada, completamente errada. Que tudo está diferente.
Eu sinceramente não tenho essa expectativa.

Meus filhos estão com 13 e 11 anos e eu não vejo a hora que acabem a escola. Sei que haverá dificuldades mil aí fora, mercado de trabalho, enfim.
Mas a escola é desgastante. Não as matérias, conteúdo, professores. As crianças e seus valores trazidos de casa.
Na idade de teu filho pensei seriamente em irá-los da escola para fazer o ensino doméstico, homescholing, mas não é permitido em nosso país, então seria outro desgaste judicial.
Passamos por tudo o que você descreve. E tudo isso só vai piorar se as coisas continuarem como estão.

O que eu vejo hoje: um vocabulário deprimente entre os adolescentes e isto inclui meu filho e o esforço diário para que ele reconheça e mude isso. Em casa tudo bem, mas entre os "amigos" para ser aceito...
A sala de aula virou um campo de batalha - esquerdista e os de direita. Coisa que eu achava que só aconteceria num campus universitário.
Veganos, sim são muitos odeiam os carnívoros. Então pergunto de que adianta ter um estilo de vida para poupar animais de sofrimento e infringir sofrimento diário nos outros?
O feminismo saiu do controle ao meu ver, porque não há debates construtivos, reflexivos; há somente ódio, repúdio.
E a maconha virou mesmo recreação aos arredores da escola.
Mas quanto a isso não se preocupe, eles são solidários: consomem juntos e depois dividem o colírio que para de mão em mão, olhos em olhos para voltarem à escola no período da tarde.
Desculpe-me também.